Internação domiciliar: como funciona
Internação domiciliar é a atenção em tempo integral, no domicílio, a pessoa com quadro mais complexo e com necessidade de tecnologia. Quem indica é a equipe de saúde, e a oferta pelo SUS ou pelo plano depende do serviço e do contrato.
Por Equipe editorial. Publicado em , revisado em .
O que é internação domiciliar
Internação domiciliar é um tipo de cuidado em que a pessoa recebe em casa uma atenção intensa, que em outro momento exigiria estar no hospital. Para a ANS, a internação domiciliar é o conjunto de atividades prestadas no domicílio, caracterizadas pela atenção em tempo integral ao paciente com quadro clínico mais complexo e com necessidade de tecnologia.
Esse termo costuma ser confundido com outros. O mais comum é confundir com a atenção domiciliar, que é mais ampla. Segundo a ANS, atenção domiciliar é um termo genérico que envolve ações de promoção da saúde, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação desenvolvidas em domicílio. A internação domiciliar é uma parte desse conjunto, voltada aos casos mais complexos.
Esta página explica o funcionamento em termos gerais. Ela não diz se uma pessoa se enquadra, não indica equipamento e não orienta cuidados. Quem avalia cada caso é a equipe de saúde.
Palavras que aparecem e o que significam
Quem pesquisa o assunto encontra vários termos. Para organizar:
Atenção domiciliar: termo amplo, que reúne ações de saúde feitas no domicílio, segundo a ANS e o Ministério da Saúde
Internação domiciliar: atenção em tempo integral, em casa, para quadro mais complexo e com necessidade de tecnologia, segundo a ANS
Home care: expressão muito usada no mercado e nos planos de saúde, em geral ligada a esses serviços
Melhor em Casa: nome do serviço de atenção domiciliar do SUS
Equipe multiprofissional: grupo de profissionais, como médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, que acompanha o paciente
Os nomes podem variar de uma operadora ou de um município para outro. Quando houver dúvida, pergunte o que cada termo significa naquele serviço.
Como funciona pelo SUS
O Ministério da Saúde descreve o Programa Melhor em Casa como o serviço de atenção domiciliar do SUS, criado em 2011. Ele atende pessoas que precisam de cuidados contínuos e têm dificuldade de se deslocar até uma unidade de saúde, e pode dar continuidade ao tratamento depois da alta hospitalar, quando indicado.
O acesso, segundo o Ministério, funciona assim:
Outra equipe da rede de atenção à saúde indica o paciente: o hospital, a atenção primária ou a urgência
Uma equipe de atenção domiciliar avalia o paciente e faz a admissão
É elaborado um plano de cuidados
O acompanhamento é feito em casa por equipes multiprofissionais
Os casos mais simples e estáveis ficam com a Saúde da Família ou a atenção básica, com visitas menos frequentes. Os mais complexos são atendidos por equipes específicas do serviço, chamadas EMAD e EMAP. Para informações, o Ministério orienta procurar a unidade básica de saúde mais próxima ou a secretaria municipal de saúde. O detalhe sobre equipamentos está em equipamento pelo SUS.
Como funciona pelo plano de saúde
No plano de saúde, a situação depende do contrato e da segmentação. Segundo o Parecer Técnico nº 05/GCITS/GGRAS/DIPRO/2024 da ANS, a atenção domiciliar não está entre as coberturas obrigatórias da saúde suplementar, com algumas exceções, e a operadora pode oferecê-la por iniciativa própria ou por previsão contratual.
Há uma regra específica quando a operadora oferece a internação domiciliar em substituição à internação hospitalar. Segundo o parecer:
Somente o médico assistente do beneficiário pode determinar se há ou não indicação de internação domiciliar em substituição à hospitalar
A operadora, nesse caso, deve obedecer às exigências previstas nos normativos vigentes da Anvisa e às alíneas indicadas da Lei dos Planos de Saúde
Se, quando não houver previsão contratual, a operadora não concordar em oferecer o serviço indicado pelo médico assistente, o beneficiário deve permanecer internado em estabelecimento hospitalar até a alta médica
Como toda afirmação de cobertura, essa depende do contrato e da segmentação do plano. Consulte seu contrato e sua operadora. O tema é aprofundado na seção de cobertura, em internação domiciliar no lugar da internação hospitalar, e há um resumo geral em o plano de saúde cobre equipamento?.
O que costuma ser conversado com a equipe antes de ir para casa
Antes da saída do hospital, vale levar perguntas específicas à equipe. Elas ajudam a entender o que a família precisa organizar:
A pessoa será acompanhada por equipe de atenção domiciliar? Qual?
Com que frequência a equipe visita e por quanto tempo o acompanhamento está previsto?
Quais equipamentos e materiais o serviço fornece? Quais a família providencia?
Quem treina os cuidadores e como é esse treinamento?
Qual telefone usar em caso de dúvida ou necessidade e em qual horário atende?
O que fazer fora do horário de atendimento, segundo a orientação da equipe?
Como será a reavaliação do caso?
A orientação para os cuidados vem da equipe. Este site não ensina procedimento nem uso de equipamento em paciente. Para organizar as perguntas por tipo de situação, use a lista para levar à conversa com a equipe.
Preparar a casa
Mesmo quando o serviço fornece parte dos equipamentos, a casa precisa estar pronta. Os pontos mais comuns são espaço para o equipamento, passagem de portas e corredores, tomadas próximas, iluminação e piso. A equipe do serviço costuma orientar o que a casa precisa ter. A página adaptar o quarto em casa reúne uma lista prática para medir e conferir antes da chegada.
Quando há equipamentos que dependem de prescrição, como os de suporte respiratório, a família recebe orientação específica da equipe e do fornecedor. O oxigênio medicinal é medicamento e tem regras próprias. Veja a diferença entre as formas de fornecimento em concentrador de oxigênio ou cilindro.
Quem faz o quê
Um quadro simples ajuda a dividir responsabilidades:
Equipe de saúde: avalia, indica, orienta cuidados e define o plano de cuidados
Serviço ou operadora: fornece o que o contrato ou o programa prevê
Locadora, quando houver: entrega, instala e mantém o equipamento alugado
Família e cuidadores: organizam a casa, acompanham a rotina e mantêm contato com a equipe
Quando a família aluga um equipamento por conta própria, vale avisar a equipe, para que ela conheça o que está em casa. Para entender como funciona a locação, leia como funciona o aluguel.
Se a internação domiciliar não for oferecida
Pode acontecer de o serviço público não ter vaga ou de o plano não prever. Nesse caso, converse com a equipe do hospital sobre alternativas: manter a internação até que haja condições de segurança, contratar um serviço particular, ou seguir com visitas de profissionais. A decisão é sempre da família junto com a equipe de saúde, e cada caminho tem regras e custos próprios. Se o plano negar, a seção de cobertura reúne os passos em o que fazer se o plano negar.
Resumo
Internação domiciliar é a atenção em tempo integral, no domicílio, para quadros mais complexos, e se diferencia da atenção domiciliar mais ampla. Pelo SUS, o acesso começa pela indicação de outra equipe da rede e avaliação de uma equipe de atenção domiciliar. Pelo plano, depende do contrato, com regras específicas quando substitui a internação hospitalar. Em qualquer caso, a indicação e os cuidados vêm da equipe de saúde.
Para localizar empresas que alugam equipamentos na sua cidade, use a busca de locadoras. Para um item de uso frequente, veja a página da cama hospitalar.
Perguntas frequentes
- Qual a diferença entre atenção domiciliar e internação domiciliar?
- Segundo a ANS, atenção domiciliar é um termo genérico para ações de promoção da saúde, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação desenvolvidas em domicílio. Internação domiciliar é o conjunto de atividades prestadas no domicílio, com atenção em tempo integral a paciente com quadro clínico mais complexo e com necessidade de tecnologia.
- Quem indica a internação domiciliar?
- Quando ela é oferecida em substituição à internação hospitalar pelo plano de saúde, a ANS informa que somente o médico assistente do beneficiário pode determinar a indicação. No SUS, a indicação parte de outra equipe da rede, como hospital, atenção primária ou urgência, e uma equipe de atenção domiciliar avalia o caso.
- O plano de saúde é obrigado a oferecer internação domiciliar?
- A ANS informa que a atenção domiciliar não está entre as coberturas obrigatórias, com exceções, e é devida quando há previsão contratual. Há regras específicas quando a internação domiciliar substitui a hospitalar. Consulte seu contrato e sua operadora.
- A família precisa providenciar equipamentos?
- Varia conforme o caso e o serviço. Pergunte à equipe o que será fornecido, o que a família providencia e quem faz a manutenção. A lista de perguntas do guia da alta ajuda a organizar essa conversa.
- A casa precisa de preparo?
- Costuma ser necessário ao menos organizar um cômodo com espaço, tomadas e circulação adequados. A equipe do serviço costuma orientar o que a casa precisa ter. A página sobre adaptação do quarto traz os pontos práticos.
Fontes
- Ministério da Saúde, Atenção Domiciliaracesso em 11 de outubro de 2026
- Ministério da Saúde, Programa Melhor em Casaacesso em 11 de outubro de 2026
- ANS, Parecer Técnico nº 05/GCITS/GGRAS/DIPRO/2024, cobertura de atenção domiciliaracesso em 11 de outubro de 2026
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